Mar 3, 2009

Fazer o caminho onde as pessoas o traçam


Quando estava em Barcelona e ao observar um jardim público todo ele traçado de pavimento tentei chegar a uma explicação lógica do porquê de tal desenho. Caminhos traçados aqui e ali, alguns a ramificarem de outros, uma aparente caos. Em conversa com um arquitecto urbano local explicou-me que eles fazem isto de forma iterativa. Fazem o jardim sem caminhos e sem barreiras, as pessoas começam a marcar a relva e eles deixam. Passados dois meses começam a analisar os traçados deixados pelos utilizadores e fazem os caminhos. Se passado um ano se notar um novo caminho, eles transformam-no em traçado oficial. A partir de aí comecei a usar essa analogia para separar as entidades que levantam barreiras dos dois lados, das que fazem o caminho por onde as pessoas passam.

Sou um assíduo utilizador de aeroportos, e uso com frequência o portátil para em tempo de espera arrumar a casa e/ou passar o tempo. Agora até já estão todos cobertos por redes de wi-fi (a pagar, claro...). Estou sempre com atenção à bateria do portátil, pois muitas vezes posso precisar da mesma no avião e no destino. E depois procuro uma tomada de energia e...nada! Nem uma. Seria de pensar que estariam colocadas ao pé dos bancos onde passamos horas à espera, mas não. Estão colocadas nas colunas e nas paredes do aeroporto, nos locais mais escondidos e recônditos, estão lá para as entidades que alugam o espaço e precisam de energia, não para mim. Eu sou um mero transeunte e deve haver alguém que acha que isto seria uma má ideia, que todos juntos implicaria mais gastos de energia. Isto num aeroporto, uma plataforma optimizada e eficiente como calculamos. Claramente, mais uma entidade das que levanta barreiras ao utilizador.


Depois resulta nisto, nesta linda figura que eu e outros são obrigados a fazer, juntos á volta das colunas, em pé ou sentados no chão, com portáteis e telemóveis de fio esticado, de forma precária e ridícula.



1 comment:

  1. A vida é dura!
    Mas deixa lá que esses tempos se a "Delta quiser" poderão vir a acabar!
    Mãos à obra!
    abc

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