Jun 12, 2009

Inovação sem produtos é verdadeiramente inovação?


Fui no outro dia convidado a estar presente no 6º Encontro Nacional de Inovação COTEC sobre o tema Inovação em Rede. Gostei do evento, tema actual, convidados de alto calibre, comentadores credíveis, organização profissional. Na parte da tarde do evento foram atribuídos os Prémio Produto Inovação COTEC – Unicer e menções honrosas, tendo sido uma boa surpresa a quantidade e diversidade dos agraciados. Apesar de terem explicado que o termo produto diz respeito a bens e/ou serviços, a lista dos premiados demonstra uma realidade interessante: 1º prémio para a Hovione com a Secagem de Partículas por Atomização, um processo do leite em pó (citado pelo Peter Villax como exemplo de inovação aplicada versus invenção) que permite à empresa novas formas farmacêuticas, impossíveis de realizar com as técnicas anteriormente existentes. Nenhum produto físico à vista, sendo habitual nestes casos e para efeitos de protecção de Propriedade Intelectual, a corporização do processo num determinado produto para que seja mais fácil de proteger.


Um Prémio Especial Indústria Tradicional (que não deixa de ser interessante como definição…) para a Salsa com as suas jeans Wonder. Um produto cuja inovação assenta no entendimento do que pretendem as mulheres de umas jeans e na capacidade de materializar produto de marca própria. Depois as menções honrosas, à Critical Links com a EdgeBox, à N’Drive, Priberan e Smartgate, todos eles à excepção do NLP da Priberam, produtos. Isto numa economia supostamente de serviços, com gente de peso na economia nacional em áreas como banca e retalho. Isto significa que a Inovação de produto em Portugal está de boa saúde, certo?


Recentemente a Business Week publicou um artigo com o título The Failed Promise of Innovation in the US e levanta uma questão importante e pertinente. Faz referencia a esta década como uma em que as promessas feitas de uma inovação que trouxesse benefícios de longa duração à economia falhou, cita 11 áreas onde supostamente foram feitos investimentos maciços e onde supostamente estávamos à beira de materializar produtos e serviços inovadores, falha esta que pode ser entendida como uma parte substancial da falha do próprio sistema económico. A pergunta que faz é "onde estão os produtos" e defende que uma economia suportada somente nas tecnologias de informação não é suficiente, faz ligações inteligentes entre a capacidade industrial, a economia gerada de forma directa e indirecta, as exportações.


Um artigo que faz pensar no estado da indústria em Portugal, em Espanha, nos investimentos feitos e nos que estão para vir, na necessidade de ultrapassar os preconceitos e de aprender a ler as estatísticas.

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