Aug 28, 2009

Crónica de um mau design, ou de uma má gestão!


Comprei umas molas da roupa, dessas à venda numa grande superfície. Tinham marca de fornecedor, Fapil. As molas estão no limiar da escolha do papel higiénico, querem-se funcionais e basta. Digo no limiar porque mesmo a Renova tem provado que há papel higiénico e papel higiénico, e existem pessoas que teimam em comprar umas molas que parecem instrumentos cirúrgicos, ou que são giríssimas mas não prendem a roupa.


Na próxima vez que fui estender roupa - sim eu estendo a minha roupa, comecei a dar-me com uma molas que se retorciam mesmo antes de serem usadas. As molas metálicas usadas não são as adequadas às partes plásticas, ou vice-versa, e elas desmontam-se por si próprias. Eu agora deparo-me com um dilema que submeto ao V/ senso comum.


Eu cada vez que tenho que usar as molas digo mal da vida. Começo por dizer mal da grande superfície, mas passo muito rapidamente para dizer mal do fornecedor e da marca. Sou suficientemente humilde para começar a dizer mal do designer, mas depois a experiência diz-me que provavelmente estas molas nunca passaram pelas mãos de um designer. Sem dúvida que houve várias pessoas a tomar decisões de design, mas duvido que aquele produto seja resultado de um projecto de design. Mais ainda, acredito que alguém pode ter reparado que a mola se comportava da maneira como se comporta, mas achou que isso não seria um problema, que pelo preço das mesmas isso era uma consequência, que quem não gostasse comprasse outras. Deitando estas fora.


Acontece que eu não sou capaz de deitar as molas fora, e não vou comprar outras até um dia que me sinta compelido a tal, e isso tem um impacto cada vez mais forte na marca das molas, possivelmente importadas da Ásia com a marca do importador. De tal forma que cada vez que as uso digo mal da vida, uso este caso e cito a marca (aqui não, por decoro…) para falar de má gestão de design e marca, escrevo textos sobre o assunto.


Alguns dos meus clientes da área industrial, dos produtos de consumo, aproximam-se e pedem-me para lhes criar uma marca. A minha resposta costuma ser que eles deviam se concentrar em fazer bons produtos, de forma consistente, prestar um bom serviço aos seus clientes e à comunidade, durante 10 anos, e que a marca seria criada de forma natural e robusta. Possivelmente com menos investimento que na criação de uma marca artificial ou momentânea, que cria expectativas que depois a empresa não é capaz de sustentar.


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